Enxerto gengival livre x enxerto de tecido conjuntivo: qual é a diferença?
Essa é uma pergunta que recebo com muita frequência — e entender a diferença entre esses dois enxertos é fundamental para escolher corretamente a técnica cirúrgica.
🔹 ENXERTO GENGIVAL LIVRE (EGL)
O próprio nome já nos ajuda a entender: ele é um enxerto livre, composto por epitélio e tecido conjuntivo, transferido da área doadora para o leito receptor.
Diferentemente do enxerto conjuntivo subepitelial, ele não fica recoberto por um retalho. Sua revascularização ocorre a partir do leito receptor.
🎯 Seu principal objetivo é aumentar a faixa de gengiva ou mucosa queratinizada.
É uma técnica altamente previsível e pode ser utilizada tanto ao redor de dentes quanto de implantes. Na implantodontia, a literatura demonstra sua efetividade para aumentar a largura de mucosa queratinizada peri-implantar.
🔹 ENXERTO DE TECIDO CONJUNTIVO SUBEPITELIAL (ETC)
Aqui utilizamos predominantemente a porção conjuntiva do enxerto, que é posicionada sob um retalho.
Esse retalho pode ser:
• posicionado coronalmente;
• deslocado lateralmente;
• ou confeccionado por meio de técnicas de túnel.
A grande diferença biológica é que o enxerto conjuntivo fica em uma situação bilaminar, recebendo vascularização tanto do leito receptor quanto do retalho que o recobre.
Historicamente, Langer e Calagna descreveram o uso do enxerto conjuntivo subepitelial para correção de defeitos e aumento de volume de rebordos edêntulos no início da década de 1980. Posteriormente, em 1985, Langer e Langer publicaram sua utilização para recobrimento radicular.
🎯 Atualmente, o enxerto de tecido conjuntivo associado ao retalho posicionado coronalmente continua sendo considerado padrão-ouro para o tratamento de recessões gengivais, além de apresentar inúmeras aplicações na implantodontia, como melhora do fenótipo peri-implantar, correção de recessões e aumento de volume de tecidos moles.
📌 Para guardar:
EGL → QUERATINIZAÇÃO
Principal indicação: aumentar a faixa de tecido queratinizado.
ETC → RECOBRIMENTO + VOLUME
Principal indicação: recobrimento radicular e aumento/modificação do volume e do fenótipo dos tecidos moles.
⚠️ Mas atenção: não existe “o melhor enxerto” para todas as situações. A escolha depende do objetivo clínico, do fenótipo, da anatomia do sítio e do resultado que queremos alcançar.
📚 Referências
Langer B, Calagna LJ. The subepithelial connective tissue graft. J Prosthet Dent. 1980;44(4):363–367.
Langer B, Calagna LJ. The subepithelial connective tissue graft. A new approach to the enhancement of anterior cosmetics. Int J Periodontics Restorative Dent. 1982;2(2):22–33.
Langer B, Langer L. Subepithelial connective tissue graft technique for root coverage. J Periodontol. 1985;56(12):715–720.
Chambrone L, et al. Does the subepithelial connective tissue graft in conjunction with a coronally advanced flap remain as the gold standard therapy for the treatment of single gingival recession defects? J Periodontol. 2022;93(9):1336–1352.